Incomodado com uma intensa irritação na garganta, que já durava três semanas e não era solucionada por médicos clínicos, fui ao otorrinolaringologista fazer um exame da laringe, para ver se havia algum problema nas minhas pregas vocais. Professor sempre se preocupa com a questão da saúde da voz.
Fiz um exame chamado video-laringoscopia, que filma a laringe para verificar suas condições físicas. No final do post você pode assistir ao vídeo do exame, mas antes quero falar um pouco sobre o aparelho fonador humano e o que isso tem a ver com Física.
O nosso aparelho fonador é um instrumento que produz sons sob o comando da região do cérebro responsável pela fala. Mas como será que são compostos os sons?
Diferenças entre um ruído e uma nota musical
Os sons variam muito quanto à composição. Uma régua que vibra produz um ruído indistinto, ao passo que um diapasão musical, ao ser percutido, dá lugar a um som muito mais puro. Isso é o mesmo que dizer que as ondas sonoras produzidas pelo diapasão são mais regulares que as da régua. Quanto mais puro e regular for um som, mais ele se aproxima de uma nota musical.
Toda onda sonora pode ser dividida em uma série de outras ondas. O que distingue uma nota musical do ruido de uma porta que bate, por exemplo, é a variedade de diferentes ondas que compõem o som. Ondas muito diferentes entre si produzem ruído; ondas parecidas dão lugar a notas. Veja a diferença entre as ondas de um som musical e as de um ruído.
A laringe e os harmônicos
O som produzido na nossa laringe é bem mais complexo, sendo formado por uma frequência fundamental, que determina a tonalidade, acompanhada de harmônicos, ou seja, vibrações múltiplas da frequência fundamental, que se superpõem e formam ondas complexas, como acontece numa corda de violão, por exemplo. Veja a figura abaixo:
O volume com que cada um dos harmônicos é emitido depende da forma e do tamanho da cavidades bucal e nasal. Seu conjunto determina o som das vogais. Alterando-se a posição dos lábios, maxilares e língua, mudam-se as características físicas dessa cavidades, obtendo-se os sons das diferentes vogais. Cada pessoa tem um biotipo diferente, ou seja, um aparelho fonador diferente, resultando em timbres de vozes também diferentes. O timbre, que tem a ver com a forma da onda resultante, seria como uma “impressão digital” da voz, única para cada pessoa.
Mas como é exatamente a laringe? Como ela funciona?
A laringe e as pregas vocais
As imagens abaixo - apesar de que de repente pode lhe sugerir outra coisa (não fale!) - é tão somente as fotografias de uma linda laringe e de suas pregas vocais (ou cordas vocais). NÃO é a minha laringe. A minha você verá no vídeo mais adiante.
Laringe é um canal cartilaginoso situado imediatamente acima da traquéia e abaixo da raiz da língua.
Além de evitar a penetração de alimento na traquéia, a laringe tem importância fundamental na fonação, ou seja, no processo fisiológico da produção da voz. Na parte interna da laringe, existem dobras transversais, chamadas de pregas vocais (ou cordas vocais), que formam uma espécie de abertura chamada glote, que por sua vez provoca um estreitamento do canal. Quando o ar sai dos pulmões, durante a expiração, encontra o estreitamento da glote, fazendo vibrar as pregas vocais que produzem os sons.
Apesar de serem emitidas na laringe, as palavras "provêm" do cérebro: decidimos o que precisa ser dito e o cérebro envia instruções que controlam os movimentos das estruturas da laringe e dos músculos da boca, articulando-se então os sons.
Quer ver como é a laringe do Professor Tuba?
Exclusivo aqui no Tuba Física, ninguém nunca viu e eu vou mostrar agora pra todo mundo ver as minhas pregas… vocais. Assista ao vídeo produzido pelo médico que eu consultei nesta semana em São Luís. Foi identificado que as minhas pregas vocais não se fecham completamente, gerando uma fenda paralela. Isso deve ser corrigido através de fonoterapia. No mais, estou apenas com um processo alérgico na garganta e um pouco de refluxo do estômago, ocasiando muita secreção na região. Nada que terapia, medicamentos e cuidados com a alimentação não resolvam.
Fontes: Física Vol. 2, Djalma Nunes da Silva Paraná, 1998 – Ed. Ática; Física Vol. 2, Alberto Gaspar, 2002, Ed. Ática.
Quer saber sobre física da música? Visite este site: http://www.cdcc.usp.br/ondulatoria/musica.html









































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